sábado, 30 de março de 2013

Procura por táxis aumenta


DEMANDA.

Ligações para cooperativas sobem de 250 durante a semana para 400 às sextas e sábados


Procura por táxis aumenta 


À mesa em um dos mais badalados bares da capital alagoana, no bairro de Jatiúca, os amigos conversam descontraidamente. Entre canecas generosas de chope gelado, explodem risadas num clima de início de feriadão. A noite está apenas começando. À medida em que avançam as horas, o movimento na calçada à frente do bar vai aumentando.

O repórter se aproxima e faz-se o silêncio na mesa. “Vocês estão dirigindo hoje?”. “Não, não estamos”, responde a estudante de Radiologia Vanessa Barros. Ela dirige há 13 anos. Confessa também que, antes das alteraçãoes que deixaram mais rígidas a Lei Seca, bebia e dirigia, saía de carro com amigos para os bares e voltava guiando o veículo, depois de tomar cerveja.

“Agora não faço mais isso. Hoje mesmo deixei o carro em casa e vou voltar de táxi”, diz ela, ao reconhecer que a multa de R$ 1.915 e as consequências que envolvem um flagrante de uma blitz da Lei Seca fizeram com que adotasse novos hábitos. “Além disso, você vai se conscientizando do grande risco que representa dirigir alcoolizado”, disse Vanessa.


COMPORTAMENTO.


Nunca foi tão intenso o movimento de táxis nas proximidades de bares e casas noturnas

Lei Seca muda hábito da população

Desde que a presidente  Dilma Rousseff sancionou as mudanças na Lei Seca, tornando-a mais rígida com os condutores que insistem em beber ao volante, o maceioense vem aos poucos adotando novos hábitos. Embora muitos ainda insistam em desobedecer, uma significativa parcela da população decidiu que não quer ser flagrada pelo bafômetro, “dançar” em R$ 1.900, além de ter suspenso o direito de dirigir por um ano.

Nos bares, clubes, shows e festas, nunca foi tão intenso o movimento de táxis a transportar casais, grupos de amigos e pessoas que decidiram deixar o carro em casa, para poder tomar cerveja tranquilos e voltar para casa são e salvos.

O chamado “motorista da rodada” passou a ser figura cultuada pela turma de jovens boêmios. Enquanto os camaradas enchem a cara e se divertem, o escolhido da noite aguarda pacientemente na sua dieta, à base de água e refrigerantes, além de petiscos. As autoridades agradecem e comemoram a mudança de atitude. Sabem que é essa nova forma de procedimento que fará com que vidas sejam salvas e o número de acidentes provocados pela mistura de álcool e direção desabe nas estatísticas.

De acordo com levantamento do Departamento Estadual de Trânsito de Alagoas (Detran/AL), de junho a dezembro do ano passado, ainda vigorava a “antiga” Lei Seca, houve uma redução de 6% no número de acidentes. Essa tendência de redução vem se confirmando nos primeiros dias do ano.


Blitze ocorrem em locais “estratégicos”

O estudante Gabriel Tomasone deixava uma casa de shows quando foi abordado pela equipe de reportagem da Gazeta e aceitou dar entrevista contanto que não fossem feitas fotos dele.

Ao lado de um amigo, ele confessou que havia bebido e que guiaria seu carro normalmente até sua residência, no final da noite.

“Acho que a nona lei seca foi injusta com pessoas com eu, que bebem moderadamente. Tenho o meu limite, e me mantenho sóbrio e em condições de dirigir”, disse Gabriel.

O estudante disse que tem muito medo de “cair” em uma das blitze montadas nas ruas de Maceió.

“Procuro pegar uns caminhos alternativos para não ser flagrado. Além disso, também uso o Waze”, diz Gabriel, ao se referir ao aplicativo gratuito de trânsito e navegação, uma mistura de GPS com rede social, usado por milhões de pessoas no mundo. Por meio do Waze, instalado em celulares e tablets, condutores informam e são informados sobre locais onde estão sendo realizadas blitze. “Hoje mesmo vou usar o Waze”, diz Gabriel. LM.


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Edição de 31 de março de 2013

Por: LELO MACENA – REPÓRTER

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