quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Morte de taxista alerta para adesão a monitoramento com a polícia

Só 20% dos veículos têm conexão com o Ciods, o que evitou a maioria dos assaltos, segundo afirma sindicato

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O primeiro homicídio a taxista em 2014 foi registrado na noite de segunda-feira e, apesar de a polícia ainda não ter descoberto os autores do crime, o fato serviu como alerta para toda a categoria, que já possui meios de equipar o veículo para estar preparado diante de eventuais abordagens criminosas, mas ainda não aderiu a eles.

O monitoramento 24 horas do veículo e a conexão direta com o Centro Integrado de Operações da Defesa Social só foram instalados em cerca de 20% da frota de táxis de Maceió. Mas, segundo o Sindicato dos Taxistas, no ano passado, a adesão ao serviço praticamente zerou o número de assaltos à categoria.

A vulnerabilidade permite que profissionais como Aguinaldo Alfredo dos Santos, de 63 anos de idade, 30 deles na profissão, continuem sendo vítimas da criminalidade. Santos teria sido abordado por um grupo de pelo menos três pessoas na segunda-feira, que cometeram o crime já dentro do táxi, ao passarem por uma rua sem iluminação – conta-se que faltava energia na rua Paulina Maria de Mendonça, na Mangabeiras. Ele foi morto com dois tiros na cabeça.

Segundo o comandante do Batalhão de Policiamento de Eventos, da PM, major José Cláudio, nenhum objeto do táxi teria sido levado. “Por isso não consideramos o crime como um latrocínio”.

A reportagem entrou em contato com o diretor da Delegacia de Homicídios da Capital, Cícero Lima, para apurar detalhes da investigação, mas ele não atendeu às ligações.

PERÍCIA

Ontem a perícia do Instituto de Criminalística foi realizada no veículo Space Fox, de placa OEH-0544, que era do taxista. Foram encontrados dois projéteis de arma de fogo, e fibras parecidas com fios de cabelos, além de impressões digitais nas maçanetas das portas, uma camisa e um par de sandálias com sangue que seria de um dos autores do homicídio.

Cinco profissionais morreram ano passado, segundo levantamento

Cinco taxistas morreram vítimas de homicídio ou latrocínio em 2013, três deles em Maceió e dois no interior, segundo um levantamento do Sindicato dos Taxistas de Alagoas.

O último taxista morto no ano passado foi Valdemir Alcântara, que exercia a profissão há cerca de vinte anos. O corpo dele foi encontrado no último dia 29 num canavial na cidade de Maribondo ao lado do corpo do ex-vereador pela cidade Otoniel Lopes da Silva, também morto no latrocínio cometido, entre outras pessoas, por um adolescente de 17 anos.

O secretário geral do Sintáxi, Fernando Ferreira, lamentou as mortes dos colegas de trabalho e alerta para a segurança dos taxistas alagoanos, segundo ele, ameaçada pelas drogas – que seriam o motivo dos assaltos - e pelo volume de dinheiro que movimentam esses profissionais.

“Dinheiro no bolso chama atenção do meliante, dos assaltantes. A maioria dos assaltos é para suprir a necessidade dos usuários e o tráfico de drogas e uma forma de fazer dinheiro rápido é o assalto aos taxistas. Estamos trabalhando maciçamente para que os taxistas tenham a menor importância em dinheiro possível, através de programas como o Easy Taxi, que usa um aplicativo de celular onde eles se conectam diretamente com o passageiro que já tem um cadastro e faz o pagamento pelo sistema, via cartão”, adiantou Ferreira.

Ao todo, cerca 3.190 táxis circulam em Maceió e outros 2.500 no interior, sem contar com os veículos não contabilizados pelo sindicato – 80% deles a mercê da proteção da Polícia Militar através das abordagens ou solicitações. Para o secretário geral do Sintáxi, por serem poucas as abordagens realizadas pela polícia é de fundamental importância a adesão a sistemas modernos de segurança.

Hoje, a aquisição(comodato) e instalação de um equipamento de GPS saem de graça para o taxista que procurar o Sintáxi, na Rua Iris Alagoense, 721, no Farol. Ele pagará uma taxa de R$ 45 após trinta dias da instalação.

Silva também alerta para a importância de a vítima manter a calma e não reagir ao assalto. “Segundo ouvi ele [Aguinaldo Alfredo, morto na segunda-feira] reagiu, foi uma fatalidade”.

08 Janeiro de 2014 - 08:50

Alain Lisboa



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