quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Taxista de Maceió oferece serviço 'padrão Uber' há mais de 20 anos

Motorista fardado oferece atendimento diferenciado em carro de luxo.

Passageiros têm mimos como carregador de celular, revistas e jornais.



Taxista Orlando oferece atendimento vip aos clientes há 20 anos (Foto: Shade Andréa/G1)

“Desculpe lhe fazer mais esta pergunta pessoal, mas que estilo de música o doutor gostaria de ouvir?”. É com esta pergunta incomum que o taxista Orlando Clodoaldo inicia o serviço diferenciado de transporte de passageiros na Grande Maceió. Logo após entrar no veículo, o passageiro é convidado a escolher um estilo musical para seguir viagem.

O estilo se assemelha ao do serviço oferecido pelo Uber, que ainda não chegou a Alagoas, mas tem causado polêmica nos estados onde atua. Os taxistas tradicionais questionam a legalidade do transporte alternativo, que é feito sempre em carros de luxo, com motoristas vestindo terno completo e mimos para o passageiro, como água gelada e doces.


Táxi ainda conta com dispositivo para carregar celular disponível aos passageiros no banco traseiro do veículo (Foto: Shade Andréa/G1)

Mas, muito antes desta polêmica, há 20 anos, Clodoaldo decidiu aprimorar o serviço que oferecia.

Ele já estava na profissão há oito anos, quando decidiu deixar de ser taxista para ser um “Personal Taxi Driver”, como consta em seu cartão de visitas.

Sempre trajando roupa social, Clodoaldo conduz diversos passageiros por Maceió e região. Seu táxi, um veículo que custa em média R$ 78 mil, é limpo até 8 vezes por dia, além de perfumado. Também tem à disposição revistas e jornais atualizados e um carregador de celular.

A biblioteca musical é extensa, vai de música instrumental ao forró, passando por MPB, jazz e até ópera.

“Eu entendi que sou um prestador de serviços, então estou à disposição para servir da melhor forma. O cliente está pagando um valor para ter o melhor atendimento possível”, afirma Clodoaldo.

A mudança começou com o carro, que é sempre um modelo de luxo e 0 km. Antes de completar três anos de uso, ele se desfaz do automóvel para comprar outro. O carro tem bancos de couro claro, tapetes atoalhados e está sempre com o aparelho de ar condicionado ligado.

Sobre o valor pago pelo cliente, o taxista não cobra nada a mais pelo serviço. O veículo, que pertence a categoria turismo, tem o mesmo valor de corrida e bandeirada dos táxis comuns.

Segundo o presidente do Sindicato dos Taxistas de Alagoas (Sinditáxi), Ubiraci Correia de Lima, o serviço que é oferecido em Maceió não tem um padrão pré-estabelecido. "Os taxistas têm a obrigação de manterem o taxímetro atualizado, a documentação do veículo e do condutor em dia e devem ser cadastrados ao sindicato. Fora isso, o taxista pode oferecer o que quiser".

Com a chegada de tantos aplicativos para táxi, como o 99táxis, Easytáxi e Uber, o Clodoaldo diz não temer perder clientes. “Eu acho até bom. Isso faz com que a gente se mantenha atualizado. Tem muito colega por aí que realmente presta um serviço ruim, reconheço e peço desculpa por eles”, relata.


Carro possui bancos em couro claro, tapetes atoalhados, carregador de celular, revistas e extensa biblioteca musical. (Foto: Shade Andréa / G1 Alagoas)

Sem apontar um nome específico, o taxista revela que alguns colegas não gostam que ele use o blazer. “Eles reclamam, por que o cliente gosta e começa a perguntar pelo motorista que trabalha de blazer, então, para não perder clientela, eles vão ter que começar a usar também’, comenta.

O gerente geral do hotel Radisson, Fábio Kazuo, é um destes clientes assíduos e relata que o atendimento prestado por Clodoaldo é tão exemplar que já virou estudo de caso em alguns dos treinamentos oferecidos pela rede do Hotel.

“Trabalho no ramo de hotelaria há mais de 15 e nunca vi ninguém manter um padrão de qualidade como Clodoaldo mantém. Ele é uma pessoa especial, que se destaca naturalmente, tanto que entre os 15 taxistas que atendem aos hóspedes do hotel, ele é o que tem uma agenda apertada por conta da fidelização. Quando eu ou minha família precisamos de um taxista, chamamos por ele”, diz Kazuo.

Orgulhoso, o taxista se emociona com os elogios e diz que faz o possível para melhorar sempre. Comparado ao padrão Uber, falta apenas oferecer água gelada. E quando soube que a diferença era apenas essa, respondeu prontamente: “Não é que é uma boa idéia?”.

21/10/2015 07h12 - Atualizado em 21/10/2015 07h12

Do G1 AL

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