terça-feira, 26 de abril de 2011

Táxi terá papel cada vez mais importante no cenário urbano

    Facilidade, custo, restrição veicular. Especialistas avaliam o uso do táxi e da carona como transportes individuais que ganharão espaço com o aumento do congestionamento urbano

    Não é novidade para quem vive nos grandes centros urbanos do Brasil: está ficando caro andar sozinho de carro. Mas muitos não abrem mão do transporte individual. Quais as alternativas então? Carona e táxi são duas delas. “O táxi vai ter no futuro um papel importante. Não só pelas restrições de circulação, mas também pela facilidade de comunicação e proximidade”, opina Rogério Belda, conselheiro da ANTP – Associação Nacional de Transportes Públicos.

Mil reais por mês em táxi parece muito. Mas não é.

    Há três anos, o Cefipe (Centro de Estudos de Finanças Pessoais e Negócios) levantou todos os custos que incidem sobre um carro de R$ 40 mil - impostos, gastos com manutenção e seguro, combustível, depreciação, rendimento se o dinheiro estivesse aplicado etc. – e conclui ser muito mais barato andar de táxi que de carro: as corridas de táxi custariam aproximadamente R$ 1 mil por mês enquanto o custo mensal com veículo próprio é de cerca de R$ 1.900.

    A jornalista Milena Miziara é uma que faz uso constante do táxi. “Como posso ir a pé para meu trabalho e em meu prédio não tem garagem, seria muito caro manter um veículo para este ficar parado em estacionamentos”, conta. Ela diz que em algumas situações faz falta não ter um veículo próprio, mas já encontrou alternativas. “Quando vou ao supermercado pego um táxi para trazer as compras e quando recebo visitas em casa eu alugo um carro”, explica.

Mais que economia

    Richard Darberá, autor do livro Ou vont les taxis (sem edição brasileira, traduzido por onde estão os táxis), analisa a história e o contexto atual do serviço de táxi e afirma que não é só preço que define seu uso. Para ele, rapidez no atendimento é fundamental e por isso o serviço de centrais de atendimento com uso de GPS estão atraindo cada vez mais clientes.

    Rogério Belda explica que no Brasil algumas prefeituras já limitam o número de táxis que podem estar ligados a uma empresa de geoprocessamento para não virar monopólio. Quanto ao uso, Belda explica que há dois tipos de uso do táxi. Famílias que optam por ter apenas um carro na garagem no qual um dos membros faz o uso do táxi e também aqueles que são mais radicais e não têm nenhum carro. “Um veículo acaba sendo um membro da família porque também exige cuidados especiais, seguro, manutenção e às vezes precisa ir até no ‘hospital’”, brinca.

    Darberá conta na obra que o serviço de táxi é antigo. Carroças de aluguel já existiam na França no século XVIII e a palavra táxi aparece em 1907 e vem de taximetre.

Carpool

    O Carpool, ou carona solidária, é outra forma de transporte individual que pode diminuir o número de veículos nas vias. Para José Mario de Andrade, engenheiro especialista em trânsito e diretor de negócios internacionais da Perkons, se combinada com outras medidas, pode contribuir para melhorar a mobilidade. “Assim como já acontece em algumas cidades dos Estados Unidos e com os táxis em São Paulo, pode-se privilegiar veículos cheios para circular em vias exclusivas, por exemplo”, diz.

    O especialista Rogério Belda também concorda com a necessidade de adoção de medidas restritivas. “O transporte individual chega a ser incompatível com a cidade. Querer uma solução para os congestionamentos é impossível sem medidas como pedágio urbano e rodízio”, diz. No entanto, ele acha difícil incentivar carona. “O brasileiro não gosta de andar com pessoas que não sejam de seu convívio mais próximo, há uma tendência de se resguardar”, opina.

Projeto incentiva carona

    Desde 2008, o projeto Carona Brasil batalha para implantar uma cultura de carona no Brasil por meio de um site que usa ferramentas de geoprocessamento para auxiliar os usuários a encontrarem a melhor carona para o seu trajeto. E tudo de graça. “A grande dificuldade é o problema da segurança. As pessoas ainda têm muito receio de dar e pegar carona com quem ainda não conhecem”, diz Fernando De Bellis, um dos criadores do projeto. Ele explica que esse é o motivo de o site ter um sistema de verificação de CPF e RG, além de uma série de dicas de segurança aos usuários. “Até hoje, mais de dois anos depois de ir ao ar, nunca tivemos nenhum incidente. Isso, em minha opinião, prova que dar carona é muito seguro e é a solução mais rápida e eficaz para o iminente colapso no transporte nas grandes cidades”, afirma.

    Mais de 15 mil pessoas já se registraram no site. Quase metade (49%) é habitante em São Paulo, onde o projeto surgiu, mas o projeto tem abrangência nacional. Além de proporcionar o encontro entre pessoas que podem dividir um carro, há também como dividir um táxi. A ferramenta de busca é a mesma, apenas se clica no ícone do táxi e coloca a origem e destino e a data, o resto o site faz sozinho. “Ele vai encontrar pessoas dispostas a fazer um trajeto semelhante e mostrar tudo num mapa, aí é só escolher com quem se quer dividir a corrida e mandar uma mensagem. Esse recurso é muito útil para idas e vindas de aeroportos, shows e eventos”, conta De Bellis.

Serviço:  para participar do Carona Brasil, acesse www.caronabrasil.com.br/.

25 de abril de 2011

por Daniela Schwalb Fucio
Assessoria de Imprensa Perkons
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